PARTE 01
CAPÍTULO 02 /10
O cheiro era terrível. A multidão de malfeitores, desqualificados, jovens com cabelos duvidosos e péssimo gosto cromático para calças assustaria até o mais corajoso e preparado justiceiro. Mas quem descia no Terminal do Guadalupe do coletivo “Colombo/Curitiba (Rodovia da Uva)” não era um reles justiceiro. Trata-se do mais renomado assassino em nome da justiça do sul do mundo. O nome dele: Cafézinho.
Por muitos anos, Cafézinho foi apenas um mulato, de estatura mediana, porte mediano, conhecimento mediano e que levava uma vida mediana. Quando questionados sobre o que achavam de Cafézinho, todos os amigos falavam: “ah, o Cafézinho é um cara legal.” E só. Ele também não era tão legal para receber nenhum elogio além disso.
E isso nunca incomodou Cafézinho. Até o dia em que ele completou 15 anos, assim como sua irmã, conhecida na vizinhança como Sonho de Valsa. Diferentemente de Cafézinho, Sonho de Valsa não era nada mediana. Era a típica mulata brasileira, padrão globeleza de importação.
Quando debutou, Sonho de Valsa passou a chamar ainda mais a atenção dos amigos e conhecidos de Cafézinho. Logo as brincadeiras surgiram. Era um tal de “Cafézinho, se sua irmã não tiver aonde fazer coco pode falar para ela passar lá em casa. Meu vaso se sentiria honrado em conhecer tal bunda” ou “Cafézote meu nobre. Tá afim de trocar minhas três tias, minhas duas primas e minha pintcher pela sua irmã? Olha, eu acho que a pintcher tá até prenha!”.
As gracinhas foram tantas que Cafézinho foi se transformando. Seu semblante não era mais o mesmo. Seu olhar não era mais o mesmo. Até seu cabelo não era mais o mesmo, e agora estava repleto de pontas duplas. Cafézinho se transformou em um homem vingativo e agressivo. Com medo de sair do caminho correto, decidiu usar toda a raiva reprimida pelo bem. Certo dia, descobriu que um dos palhaços que mexia com a sua irmã era ligado ao tráfico de isqueiros contrabandeados do Paraguai. Digamos, que certo dia, sem motivo aparente, o conteúdo do porta malas do Voyage 82 esquentou demais e os 887 isqueiros cheios de fluído altamente inflamável mandaram o veículo pelos ares.
Desde então, Cafézinho extravasa seu ódio fazendo o bem e dando um jeito em quem não presta.
Há algumas semanas, ele recebeu um telegrama de uma garota de programa curitibana. O nome dela é Mortadela. Bem, provavelmente esse não é o nome dela, mas foi o nome que me foi dito. Mortadela alegava estar presa à um complicadíssimo sistema de prostituição conhecido como “Rifa Puta”. Ela dizia na carta que queria parar, mas um homem mal, chamado Teddy Batatinha não permitia que ela finalmente voltasse para o convento.
Cafézinho nem pensou. Pegou sua faca do exército israelita, presente de um amigo peruano que vivia na Bolívia e que muitas coisas trazia de lá. Pegou sua boina cubana, presente de um ex-petista, tucano reformado. E pegou o último exemplar da revista Caras, afinal ele tem um intestino curioso que não lhe permite fazer coco sem ler alguma coisa.
Os destinos de Cafézinho e Teddy Batatinha estavam prestes a se cruzar.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
sexta-feira, 17 de abril de 2009
PARTE 1 - Capitulo 01
PARTE 01
CAPÍTULO 01 /10
Açougueiro, criminoso e mafioso de sucesso.
De olhos vermelhos, de cabelos branquinhos, de orelhas compridas e peludas. Não, não é o coelhinho. Trata-se de um dos mais violentos, cruéis e mal interpretados mafiosos da história do mundo pós-moderno. Giovanni Tedesco, filho de Mariano Tedesco, Neto de Giuliano Tedesco e sobrinho de Flávio Feijão, é proprietário do açougue Novilho Transtornado, no centro de Curitiba. Mas não se trata de um açougue comum, e sim de um dos mais fantásticos centros de corte bovino do sul do mundo, com profissionais treinados, aptos a fornecer o melhor da carne vermelha direto para o seu prato.
Além disso, o Novilho Transtornado também serve de fachada para a principal atividade financeira de Giovanni. A máfia. Tedesco, também conhecido na boca miúda como Teddy, gerencia um engenhoso sistema de jogo do bicho, negociação de produtos oriundos do mercado negro e prostituição. Ele ganhou destaque nesse último setor após inserir no mercado brasileiro o dois engenhosos sistemas, o "Rifa Puta" e o "Consórcio de Puta". Com preços de banana, o interessado em sexo fácil e sem compromisso pode comprar uma cartela, com a foto, medidas e nome de guerra de uma profissional do amor. Muitos se interessaram pela chance de conseguir tanto com apenas "um beijaflor de entrada", como dizia o slogan dos panfletos.
Aquele consumidor mais desconfiado, podia investir na outra iniciativa de Teddy, o "Consórcio de Puta". Com investimentos baixíssimos de R$ 15,00 mensais, muitos torciam para serem contemplados, todo dia 7 do mês. Barulhentas multidões se acumulavam em frente ao açougue, e inúmeras vezes foram responsáveis por verdadeiras batalhas épicas após o anúncio dos carnês sorteados. A verdade é que a chegada de Teddy, em meados de 1997, transformou o submundo curitibano. A capital paranaense, conhecida por seus crimes singelos e terminais de ônibus repletos de deliquentes mal trajados, transformou-se em uma das metrópoles do banditismo internacional.
Giovanni Tedesco, Teddy Batatatinha, era o maior e mais temido criminoso da capital. Entretanto, essa verdade inquestionável passou a ser a balançar recentemente. Desde o dia 1.º de janeiro, quando um certo destemido justiceiro implacável botou os pés no terminal de ônibus do Guadalupe pela primeira vez.
CAPÍTULO 01 /10
Açougueiro, criminoso e mafioso de sucesso.
De olhos vermelhos, de cabelos branquinhos, de orelhas compridas e peludas. Não, não é o coelhinho. Trata-se de um dos mais violentos, cruéis e mal interpretados mafiosos da história do mundo pós-moderno. Giovanni Tedesco, filho de Mariano Tedesco, Neto de Giuliano Tedesco e sobrinho de Flávio Feijão, é proprietário do açougue Novilho Transtornado, no centro de Curitiba. Mas não se trata de um açougue comum, e sim de um dos mais fantásticos centros de corte bovino do sul do mundo, com profissionais treinados, aptos a fornecer o melhor da carne vermelha direto para o seu prato.
Além disso, o Novilho Transtornado também serve de fachada para a principal atividade financeira de Giovanni. A máfia. Tedesco, também conhecido na boca miúda como Teddy, gerencia um engenhoso sistema de jogo do bicho, negociação de produtos oriundos do mercado negro e prostituição. Ele ganhou destaque nesse último setor após inserir no mercado brasileiro o dois engenhosos sistemas, o "Rifa Puta" e o "Consórcio de Puta". Com preços de banana, o interessado em sexo fácil e sem compromisso pode comprar uma cartela, com a foto, medidas e nome de guerra de uma profissional do amor. Muitos se interessaram pela chance de conseguir tanto com apenas "um beijaflor de entrada", como dizia o slogan dos panfletos.
Aquele consumidor mais desconfiado, podia investir na outra iniciativa de Teddy, o "Consórcio de Puta". Com investimentos baixíssimos de R$ 15,00 mensais, muitos torciam para serem contemplados, todo dia 7 do mês. Barulhentas multidões se acumulavam em frente ao açougue, e inúmeras vezes foram responsáveis por verdadeiras batalhas épicas após o anúncio dos carnês sorteados. A verdade é que a chegada de Teddy, em meados de 1997, transformou o submundo curitibano. A capital paranaense, conhecida por seus crimes singelos e terminais de ônibus repletos de deliquentes mal trajados, transformou-se em uma das metrópoles do banditismo internacional.
Giovanni Tedesco, Teddy Batatatinha, era o maior e mais temido criminoso da capital. Entretanto, essa verdade inquestionável passou a ser a balançar recentemente. Desde o dia 1.º de janeiro, quando um certo destemido justiceiro implacável botou os pés no terminal de ônibus do Guadalupe pela primeira vez.
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